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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

G1 RS - 'Abre-alas' de desfiles, comissão de frente não é julgada em Porto Alegre


Por Vinicius Brito

Vou começar pelo começo na primeira coluna Sambeabá de 2013. Abro o meu desfile de opiniões falando justamente daquela que tem a responsabilidade e a honra de abrir os caminhos das romarias profanas de fevereiro. Em qualquer carnaval do mundo, é uma atração à parte.

Surpreende, encanta e leva o povo ao delírio. Arranca alguns dos aplausos mais eloquentes das arquibancadas. Traja as mais imponentes fantasias. Apresenta as coreografias mais sincronizadas e criativas. É quem verdadeiramente abre alas em um desfile. É a Comissão de Frente, aquela que tem a missão de apresentar a escola para a imprensa, para o público e para o júri.
Comissão de frente da Estado Maior da Restinga (Foto: Samuel Maciel/PMPA)Comissão de frente da Estado Maior da Restinga,
vencedora do carnaval de 2012
(Foto: Samuel Maciel/PMPA)
A não ser que você esteja no carnaval de Porto Alegre, onde inexplicavelmente seus bravos bailarinos não são julgados. Encantam e dão o tom majestoso como se fossem integrantes de legiões em combate. São guerreiros que arredam tudo que estiver pela frente para dar passagem aos pavilhões das entidades que defendem. Mas não são julgados. Não recebem notas. Não têm o direito de encher o peito e dizer que defendem um quesito. Não defendem. Nem sequer podem encher a boca e gritar ao mundo que são decisivos na competição carnavalesca da capital. Não são.




Ao contrário de qualquer outra cidade do país, Porto Alegre não tem a Comissão de Frente como quesito. A justificativa de alguns cartolas é avarenta. Na concepção deles, se a comissão virar item de avaliação, o passe dos seus componentes ficará mais caro e os orçamentos das escolas vão inchar de forma insustentável. Tal argumento é o prato principal, sempre acompanhado da mesma guarnição: o velho discurso de que faltam recursos, não há incentivo suficiente e por aí vai.

Não é necessário buscar muitos argumentos dissonantes às vozes minoritárias que são contrárias ao quesito Comissão de Frente. O encantamento que elas proporcionam é infinitamente maior aos centavos que custam, sendo ou não quesito. Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Vitória, Uruguaiana, Santa Maria, Pelotas, Cruz Alta, Novo Hamburgo, São Leopoldo e outro punhado de cidades em todo Brasil dão a resposta sem direito de réplica. O óbvio se impõe inapelavelmente.

O ano de 2013 terá de ser o último ano em que Porto Alegre não atribuiu notas para as suas comissões de frente. E, para isso, sugiro uma campanha nas redes sociais, nas descidas da Borges, nos ensaios e até nos desfiles do Porto Seco. Com criatividade, tenho certeza que o povo do carnaval consegue. Escreva, digite, pinte, cante, dance: “Comissão de Frente: quesito já!”.

* Vinicius Brito, colunista do G1 RS, é jornalista e apaixonado por samba e carnaval. Desde 2008, é compositor de sambas-enredos.

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