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segunda-feira, 23 de abril de 2012

NOSSA HISTÓRIA - A comissão em homenagem póstuma a Paulo da Portela 1949

Paulo Benjamim de Oliveira, mais conhecido como "Paulo da Portela", nascido em 17 de junho de 1901, teve um infância difícil no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro. Ainda novo, seu pai abandona a família deixando a mãe de Paulo com três filhos para criar sozinha. Paulo deixou os estudos para ajudar a família, trabalhando como entregador de marmitas e lustrador de móveis.

Na década de 20 a família se muda para o bairro de Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio, onde os moradores já cantavam e dançavam o jongo e nessa época o samba começava a tomar seu espaço. Foi quando começou a tomar gosto pelo samba e conheceu gente como Ismael Silva, Baiaco e Brancura, sambistas do Estácio.

Paulo da Portela foi o grande organizador do samba em Oswaldo Cruz. Muito além disso, sua simpatia e determinação fizeram dele um líder comunitário e uma referência cultuada pelos moradores do bairro. Tinha consciência de que a arte de Oswaldo Cruz era rica e poderia tornar-se profissional, daí a preocupação em diferenciar a imagem do sambista do malandro vadio perseguido pela polícia. Paulo era conhecido por "professor" e é assim que muitos sambistas, ainda hoje, se referem a ele.

Em 1922 criou com seus companheiros, Antônio Rufino e Antônio Caetano o bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz. Em 1930 o grupo se apresentou pela primeira vez como Escola de Samba, com o nome "Quem Nos Faz É O Capricho" e a partir de 1931, desfilou com o nome de "Vai Como Pode".

Foi nessa época que, Paulo resolveu adotar um nome artístico para diferenciá-lo de outro compositor de Bento Ribeiro com o mesmo nome. Passou então a ser conhecido como "Paulo da Portela", nome que faz referência à Estrada do Portela, lugar onde após várias mudanças a escola de samba do bairro estabeleceu sua sede.

Em 1935 a Vai como Pode ganha o carnaval com um samba de Paulo e como retribuição pelo samba vencedor a escola muda de nome. Nascia o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, 21 uma vezes campeã e escola com maior número de títulos do carnaval carioca. No mesmo ano Paulo ganha do jornal "A Nação" o título de maior compositor de samba do brasil.
Em 1942, ocorreu o que ninguém seria capaz de imaginar: Paulo da Portela deixou a Portela. Ele e os compositores Cartola e Heitor dos Prazeres formaram o Conjunto Carioca, que acabara de se apresentar em São Paulo, na Rádio Cruzeiro do Sul e no Teatro Santana, ao lado de Francisco Alves e Araci de Almeida, e chegaram no Rio de Janeiro no domingo de carnaval. Sem tempo fazerem as fantasias de suas escolas, combinaram de desfilar os três na escola de cada um, ostentando a roupa preto e branca do Conjunto Carioca. Na Portela, porém, um dos seus diretores, Manuel Bambambã até concordou em abrir uma exceção para o próprio Paulo, mas para os outros não, seria levar muito longe a indisciplina. Paulo fez pé firme e disse que só desfilaria se os seus companheiros pudessem acompanhá-lo. Não podia admitir que fosse negado a seus convidados, por sinal, sambistas ilustres, o direito de desfilar na Portela. Se Cartola e Heitor dos Prazeres não saíssem, ele também não desfilaria. "Então não desfila ninguém", finalizou Manuel Bambambã, encerrando a carreira de Paulo da Portela na escola que fundou e viu crescer até transformar-se numa das maiores instituições do carnaval carioca. Para aumentar a humilhação de Paulo, ele seria muito bem recebido na Paz e Amor, escola a que Heitor dos Prazeres estava ligado e na Estação Primeira. Após o carnaval, mesmo sem condições de tirar do nome o já consagrado "da Portela", transferiu-se para a modesta Escola de Samba Lira do Amor, de Bento Ribeiro, bairro vizinho de Oswaldo Cruz.

Paulo da Portela morreu no dia 30 de janeiro de 1949. O seu enterro acompanhado por uma multidão calculada em quinze mil pessoas, foi uma demonstração de que o afastamento a sete anos da Portela não foi suficiente para separar o grande sambista da escola. A Portela em peso compareceu ao velório. Para toda a comunidade sambista, foi, na verdade a morte de um portelense. A escola a que se ligara,  a Lira do Amor, de Bento Ribeiro, deixara de existir após o carnaval de 1947, traumatizada pela morte trágica de um dos seus dirigentes, o sambista Caquera (quando arrumava os apetrechos da escola na carroceria de um caminhão, a ponta de uma corda que apoiara no pescoço penetrou num buraco e foi enroscar-se no eixo do veículo cujo o motor estava funcionando. Caquera morreu estrangulado.) Pouco antes do carnaval de 1948, o Diário Trabalhista perguntava: "Por que não sai a Lira do Amor? É de lamentar a sua ausência porque sabendo que a escola tem em sua direção um sambista como Paulo da Portela, todos sentem a a sua falta." Miro, um dos dirigentes, explicou: "Não é chave, sentimos a falta de um companheiro de luta que desapareceu no ano passado"

Em 1949, a Lira do Amor se fez representar no desfile apenas por uma comissão de frente, vestida de terno cinza e gravata, lenço e cravo negros, com todos os seus integrantes em silêncio. Era uma homenagem a Paulo da Portela..

FONTE:
"Escolas de Samba do Rio de Janeiro" de Sérgio Cabral
 "Almanaque do Samba" de André Diniz
blog Receita do Samba 

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